“A prefeita Fátima não gosta do homem do campo”

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Por: João de Tidinha 

leaodosertaoNesse último sábado estive na vaquejada da Fazenda Mangues, em Euclides da Cunha, promovida pelo Vereador Zé de Fulgêncio, sua esposa Rosângela e filhos. 

Esse evento, que busca manter as tradições do sertanejo, reuniu bastante gente num ambiente de alegria e descontração que teve como ponto alto a disputa da derrubada do boi. Conversando com alguns vaqueiros próximos a pista, elogiei o desempenho e a coragem de alguns deles, bem como a beleza dos animais. Comentei que no passado, prefeitos que antecederam esta gestão, as vaquejadas e cavalgadas – seguida da missa dos vaqueiros – eram muito mais prestigiadas do que hoje. Foi nesse momento que um dos vaqueiros, num tom de voz bastante alto e forte disse “A prefeita Fátima não gosta do homem do campo”. Evitando discussões políticas naquele ambiente, procurei não seguir adiante com essa conversa. 

Contudo, ao retornar para casa fiquei com aquela afirmação em minha cabeça e observo que realmente hoje temos poucas ações voltadas aos homens do campo e aos produtores rurais da nossa região. Não fosse a dedicação e o empenho pessoal de algumas poucas pessoas, a exemplo do Zé de Fulgêncio e seus filhos, do Maurício Bodão, da ACEC e Jurandir Brito da Barriguda, não teríamos nenhum evento relacionado às nossas tradições e valorização do homem do campo. 

leaodosertao1A vaquejada, atividade surgida há mais de 100 anos, por vaqueiros que se embreavam caatinga adentro na luta pela busca de bois, com o passar dos anos, essa rica cultura nordestina ganhou força e dimensão e se transformou em uma das mais bonitas e belas festas do sertão e do País. A missa do vaqueiro, evento religioso, tradicional na cultura popular do sertão é um ato de fé do homem do campo, que apesar de ser um povo sofrido, não perde jamais a esperança de dias melhores. De fato, “O sertanejo é antes de tudo um forte” (Euclides da Cunha). 

Está claro que a administração atual não elegeu o homem do campo como sua prioridade, pois suas ações estão voltadas principalmente para construções de praças, calçamentos e outras realizações urbanas que envolva cimento. Esquece a prefeita que as maiores necessidades e carências estão justamente na área rural.  

A despeito do abandono, o Município é produtor expressivo de feijão e milho e se destaca com rebanhos de ovinos, suínos, asininos, caprinos e muares. É ainda produtor de galináceos e de mel de abelhas. Temos também excelentes artesãs e artesãos que trabalham com barro, piassava e outros materiais encontrados na própria região. 

De fato, o que o que vem sendo feito em nosso Municipio em benefício do homem do campo é muito pouco. Sentimos falta, por exemplo, de um mercado permanente para exposição e comercialização dos produtos da região. Sentimos falta de um matadouro; de incentivos à produção de laticínios; da revitalização do parque de exposição; e de muitas outras promessas feitas pela prefeita na sua campanha de 2008 ainda não cumpridas.  

Por tudo isso, fico a me perguntar: será que a afirmativa do vaqueiro está correta? Será que a prefeita Fátima não gosta do homem do campo?

 

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