2026: O ano que nem começou, já acabou

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Por: João de Tidinha

Há anos em que o Brasil parece caminhar. Há outros em que tropeça. E há 2026 — um ano que, antes mesmo de começar, já dá sinais de que terminou. O país amanhece em janeiro com a sensação de que está atrasado para algo que ainda nem começou. E não está errado.

O único pré-candidato realmente posto no tabuleiro é Lula. Do lado da oposição, o cenário é mais nebuloso: o nome Bolsonaro circula, aparece em eventos, é testado em pesquisas, mas ainda sem a firmeza de uma candidatura assumida. É mais um movimento tático do que estratégico — um teste de temperatura, não um mergulho. A oposição, portanto, existe mais como hipótese do que como projeto.

Enquanto isso, o governo se prepara para a tradicional dança das cadeiras: em abril, ministros deixam seus cargos para disputar eleições, salvar mandatos ou simplesmente evitar o constrangimento de continuar onde não entregaram o que prometeram.

É o ritual brasileiro: ano eleitoral não é ano de gestão. É ano de sobrevivência.

O governo entra em modo “cada um por si”

A debandada ministerial não é novidade, mas em 2026 ela ganha contornos de debandada emocional. Não se trata apenas de disputar espaço — trata-se de garantir futuro. Alguns ministros saem para tentar se reeleger, outros porque não conseguiram mostrar serviço, e outros porque o governo precisa rearrumar peças para montar palanques estaduais.

O resultado é previsível: a máquina pública desacelera, projetos ficam em banho-maria e Brasília vira um grande balcão de negócios eleitorais. A prioridade não é o país — é o calendário.

Oposição: o candidato que aparece, mas não se assume

A presença do nome Bolsonaro no cenário eleitoral funciona quase como um teste de microfone. Ele aparece, mede reação, observa o ambiente. Não é uma candidatura consolidada, nem uma ausência declarada. É um meio-termo calculado, que mantém a base mobilizada sem assumir o custo de entrar oficialmente no jogo.

Para uma oposição que ainda não encontrou seu eixo, isso é sintomático: há força eleitoral, mas falta definição. E, em política, indefinição prolongada vira fraqueza.

O Congresso em disputa total

Em 2026, o país vai às urnas para renovar tudo o que importa:

  • 54 das 81 cadeiras do Senado estarão em disputa
  • As 513 cadeiras da Câmara dos Deputados também entram no jogo

É o tipo de eleição que redesenha o mapa político do país. E, como sempre, cada parlamentar vai lutar para garantir seu espaço — e seu futuro. O famoso “vou assegurar o meu pirão” nunca foi tão literal.

Copa do Mundo: o grande apagão nacional

Em junho, o Brasil para. Literalmente. A Copa do Mundo entra em cena e, como sempre, sequestra a atenção nacional. A política vira segundo plano, a economia desacelera, e o país entra naquele modo peculiar de funcionamento: torcer, sofrer, comemorar e esquecer — ainda que temporariamente — que há uma eleição batendo à porta.

Para muitos políticos, a Copa é uma bênção. Para outros, um pesadelo. Mas para o país, é mais um capítulo do ano que já acabou antes de começar.

Conclusão: 2026 é um ano consumido por si mesmo

Entre Carnaval, debandada ministerial, indefinição da oposição, eleições gigantescas e Copa do Mundo, 2026 é um ano que se esgota no próprio calendário. Não há espaço para grandes reformas, grandes debates ou grandes transformações. Há apenas a corrida eleitoral — e tudo o que ela arrasta consigo.

O país entra no ano sabendo que ele já terminou. E talvez essa seja a maior tragédia política de 2026: não a disputa, mas a ausência de futuro.

 

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