Os cabelos estão totalmente brancos e as suas feições são suaves. O tom de voz é firme e determinado. Ele é um padre secular. Para quem não sabe, um religioso que não está ligado a qualquer congregação. São sacerdotes formados para a Diocese. Preparados para a evangelização, para o mundo. Diferenciam-se dos congregados, entre outras coisas pelo fato de poder agregar patrimônio a partir do seu trabalho extra igreja.
Quase franciscana, a casa paroquial possui uma ante sala com uma secretária. O padre usa roupa despojada e calca sandálias simples e confortáveis. Os declarados 74 anos não lhe parecem pesar “Não penso em aposentadoria, pelo menos como pároco. A minha idéia é trazer um administrador para as coisas da igreja e continuar rezando a missa e fazendo meus sermões. Serei até o fim, um calo para as injustiças e os injustos” Assevera.
Padre Jayme nasceu na vizinha Tucano, ordenou-se em 1967 e desde cedo atuou ao lado do conterrâneo,o Bispo D. Jackson Berenger Prado,antigo pároco de Euclides da Cunha de quem foi amigo e confidente. Transferido de Feira de Santana para a recém-criada Diocese de Paulo Afonso, D. Jackson levou com ele o padre que se tornara um dos seus mais importantes auxiliares. Em 1973 foi nomeado pároco de Euclides da Cunha em substituição ao padre Pedro Monteiro dos Campos que abandonou o sacerdócio. ”O Pedro era um homem muito culto, infelizmente, nos últimos tempos perdeu o interesse pelas coisas da igreja. Surgiram outros interesses.” Alfineta.
Preocupado com os destinos do seu povo, o padre sem “papas” na língua afirma que nos últimos trinta anos, todos os administradores do município deixaram a desejar. Com exceção do José Nunes na sua primeira administração. “Afinal, em terra de cego, quem tem um olho é rei”. Filosofa.
“As minhas críticas são abertas, mas não alimento, infelizmente, esperanças”
“A ex-prefeita Rosa, nada sabia da comunidade. Sequer conhecia sua casa. Já a Fátima, trouxe uma réstia de esperança porque a gente sabia que a administração seria do Zé Nunes. Se ele estivesse administrando como da primeira vez, não seria ruim. Infelizmente, não é o que está acontecendo.”
“Todos os prefeitos que passaram depois do Zé Nunes foram muito ruins. Zezão, Renato, Ataíde e até o Lula que perdeu porque era um candidato muito ruim. A cidade está um caos. Aqui se constrói barracas em plena via pública com aquiescência das autoridades que não querem perder o voto do barraqueiro. A saúde nem se fala; 80% dos pobres aqui morrem à míngua.” Constata.
“Agora mesmo, em um sermão com a presença da prefeita Fátima Nunes, fiz questão de falar sobre a proibição da transmissão das sessões do Legislativo pela rádio comunitária. A impressão que dá, é que eles estão querendo esconder alguma coisa do povo. É preciso haver transparência e o legislativo tem de ser independente. Parece que tem dois ou três vereadores aí fazendo oposição e o resto está na mão do deputado. Imagina que existem casos de vereadores que para se eleger gastaram o dobro do que ganharão em quatro anos de mandato. infelizmente a gente não tem prova, mas que tem algo errado ai, isso tem”. Decepciona-se.
“O padre tem a mente iluminada por Deus, por isso tem de seguir essa missão. Não pode ser submisso, irresponsável. Vou ser assim até morrer e antes disso, vou preparar o meu sucessor para seguir o meu caminho. Todos esses prefeitos aos quais me referi, para entrar no Reino dos Céus, terão muita coisa para explicar a Deus”. Encerra.
Autor: Celso Mathias (transcrito da revistavidabrasil.com.br)
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