Por: Joaci Góes
Se governasse hoje, Getúlio Vargas não teria cometido suicídio, porque as pesquisas de opinião, instrumento inexistente ao seu tempo, revelariam que o pensamento do povo não guarda, necessariamente, sintonia com a opinião publicada pelos meios de comunicação. Vargas suicidou-se porque não tinha como saber, portanto, que a visão do “mar de lama” do seu governo, como denunciado pela mídia nacional, sobretudo a carioca, a exemplo dos jornais O Globo, Jornal do Brasil e Correio da Manhã, além das rádios, já que não havia TV, não era partilhada pela percepção popular.
Em lugar de agarrar-se ao poder, a qualquer preço, preferiu o honroso caminho da morte, no gesto mais dramático da política brasileira em todos os tempos, episódio que o imortalizou na benquerença popular.
A comparação nos conduz ao entendimento, no melhor estilo das prescrições maquiavélicas, de que, como regra, o que interessa aos políticos, acima de tudo, é a preservação do poder, confiantes em que a volubilidade das massas pode ser mantida sob controle à base do milenar receituário do pão e circo, para aplacá-las e conquistá-las.
Nesta dolorosa constatação reside a matriz de nossos males, na medida em que os políticos, pela incúria popular, são estimulados a ser cada vez mais políticos, com minúsculas, de olho nas próximas eleições, e cada vez menos estadistas, focados no destino das próximas gerações, consoante a conhecida distinção que Winston Churchill fez entre políticos e estadistas.
Não imaginamos que possa haver quem objete a afirmação de que a educação seja a prioridade fundamental dos povos que almejam o desenvolvimento moral e material, autossustentável.
Por que, então, só como exceção vemos os governantes a ela se referirem? Quem se recorda, por exemplo, de quando, o governador do estado ou o prefeito de Salvador veio a público prestar minuciosa conta de como anda a educação e do que está fazendo por ela?
A resposta, ao que parece, está no desinteresse popular pela educação pública, por absoluta ignorância, é verdade, do seu significado para a transformação de suas vidas.
Da classe média para cima, as famílias recorrem ao ensino privado, de qualidade reconhecidamente superior ao público, por desídia dos governos. O resultado que a todos inquieta é a perpetuação do divórcio entre ricos e pobres, forja do cisma social do Brasil.
Para avançar na direção da vanguarda do processo civilizador, o Brasil precisa incluir no conceito de obras de infra-estrutura – tradicionalmente compreendidas como saneamento básico, portos, aeroportos e estradas de boa qualidade, além de energia abundante e limpa -, a prestação de boa educação moral e intelectual, como fator de construção da infra-estrutura espiritual de nossa gente.
Sem isso, não há pré-sal que impeça o crescimento do fosso econômico que ameaça a paz social no Brasil.
Transcrito da Tribuna da Bahia- Edição 28/08/2009
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