Lula perdeu o Nordeste

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Opinião do Estadão

Petista já não é mais hegemônico em seu tradicional reduto eleitoral, mostra pesquisa

A mais recente pesquisa de opinião sobre o governo Lula da Silva indica que o petista perdeu de vez a hegemonia política na única região do País que lhe era fiel. Agora, o presidente não alcança os índices de popularidade de outrora nem mesmo no Nordeste. Somada à avaliação ruim em todo o País, a queda na região deve ter tirado o sono das cúpulas do Palácio do Planalto e do PT.

De acordo com o levantamento da Genial/Quaest, a aprovação do governo Lula no Nordeste caiu de 59%, em janeiro, para 52%, em março, enquanto a reprovação saltou de 37% para 46%. Num período tão curto de tempo, a distância entre o índice de aprovação e o de reprovação passou de 22 para apenas 6 pontos porcentuais. No jargão estatístico, a boca do jacaré fechou e há empate técnico dentro da margem de erro. Não surpreenderá se, em breve, o governo for mais desaprovado do que aprovado na região.

Não é de hoje que o Planalto tenta contornar a queda vertiginosa da popularidade de Lula. Apesar das mudanças na comunicação e dos anúncios populistas na economia, como a isenção do Imposto de Renda (IR) para quem ganha até R$ 5 mil por mês ou o incentivo ao crédito consignado para os trabalhadores, as medidas parecem não ter surtido o efeito desejado, haja vista que, em vez de a avaliação de um governo em franca campanha à reeleição melhorar, houve piora onde ele recebia mais apoio.

E esse derretimento se dá numa região onde o PT tem seus poucos atuais governadores (Bahia, Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte) e de onde saíram caciques que hoje ocupam cargos de destaque na administração federal – Rui Costa (Casa Civil), Camilo Santana (Educação) e Wellington Dias (Desenvolvimento Social). Ademais, sempre pintado de vermelho, o mapa do Nordeste destoou do restante do Brasil em todas as últimas eleições presidenciais.

Os problemas de Lula e do PT não se restringem ao Nordeste. Os números da pesquisa da Genial/Quaest mostram que o índice de aprovação do governo também caiu entre as mulheres e os mais pobres.

Ou seja, o lulopetismo vai deixando de ter força em setores da sociedade e em regiões do País onde antes era praticamente imbatível. Muito se pode especular sobre as razões desse fenômeno, mas parece claro, a esta altura, que o cardápio político que o PT e seu demiurgo têm a oferecer a essa freguesia já não tem o mesmo apelo.

Por décadas, praticamente desde que chegou ao poder pela primeira vez, Lula cultivou esse eleitorado com a sedução da transferência forçada de renda. Há cidades do Nordeste, por exemplo, cuja economia é totalmente dependente do Bolsa Família, o que dá a dimensão do impacto que esse tipo de iniciativa teve nas disputas eleitorais desde aquela época. Mas essa fórmula parece estar se esgotando, seja porque o Bolsa Família foi incorporado como política de Estado, e portanto já não se identifica mais com o PT, seja porque os beneficiários já não se contentam mais apenas com esse auxílio: querem prosperar, preferencialmente por conta própria, longe de sindicatos e das amarras do Estado – algo que o PT e Lula não conseguem conceber.

FONTE: JONAL O ESTADO DE SÃO PAULO

 

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