Nordeste, potência solar ignorada: o Brasil desperdiça sua chance de liderar a revolução energética

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Por: João de Tidinha

O Brasil vive um paradoxo energético que desafia a lógica e a justiça. Em meio à crise hídrica e ao aumento das tarifas de energia, o país descarta bilhões de reais em eletricidade limpa, gerada principalmente no Nordeste. A região, que inclui estados como a Bahia, por exemplo, desponta como um dos maiores polos de geração solar e eólica do mundo — mas sua energia não chega ao restante do país.

A razão? Gargalos na infraestrutura de transmissão e políticas públicas que desestimulam a geração distribuída.

O Nordeste tem sol e vento em abundância. A Bahia, abriga centenas de parques solares e eólicos que poderiam abastecer o Brasil inteiro. Em dias de pico, a região gera mais energia do que consome. Mas sem linhas de transmissão modernas e eficientes, essa produção é cortada. Em 2025, estima-se que quase 20% da energia renovável foi desperdiçada. Um contrassenso ambiental, econômico e social.

Enquanto isso, o consumidor paga mais caro pela energia. A escassez hídrica obriga o acionamento de termelétricas — caras e poluentes — enquanto a energia limpa do Nordeste é ignorada. E para piorar, quem tenta gerar sua própria energia com placas solares enfrenta uma ofensiva regulatória. A Medida Provisória 1.300/2025 propôs tarifas que poderiam inviabilizar economicamente os sistemas residenciais, penalizando quem investiu em sustentabilidade.

Em cidades do Nordeste do Brasil, onde o sol brilha forte e a população busca alternativas para reduzir a conta de luz, essa política é um golpe. A geração distribuída não é um luxo — é uma solução. Ela democratiza o acesso à energia, reduz a dependência de fontes poluentes e fortalece a economia local.

O Brasil precisa enxergar o Nordeste como o que ele é: o coração da transição energética. Ignorar seu potencial é desperdiçar uma oportunidade histórica. Em vez de cortar energia limpa, o país deveria investir em redes inteligentes, baterias de armazenamento e integração regional. Em vez de punir o pequeno produtor, deveria valorizá-lo como agente da mudança.

A energia do futuro já está sendo gerada. Cabe ao Brasil decidir se vai aproveitá-la ou continuar pagando caro por um modelo ultrapassado.

E concluindo, vamos lembrar nas eleições presidenciais de 2022, o Nordeste foi decisivo para a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (Lula) em seu terceiro mandato. A região concentrou os maiores percentuais de votos no Partido dos Trabalhadores (PT), com estados como Bahia, Piauí, Maranhão, Pernambuco e Ceará registrando votações expressivas acima de 70% para Lula no segundo turno.

Se o Nordeste foi decisivo para eleger o presidente, então o Nordeste deveria ser prioridade na execução de projetos do governo. Mas, não é isso que estamos vendo.

 

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