Semelhanças e diferenças

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Por: João de Tidinha

 

Na edição do Jornal A Tarde do último dia 21 de abril, foi divulgada uma matéria na qual o prefeito de Queimadas (vizinho ao nosso Município) é acusado de doar ilegalmente dois prédios escolares da zona rural a duas famílias da região.

 

As escolas que estavam desativadas há mais de cinco anos foram depredadas por moradores da comunidade. Cida Márcia Matos de Souza e o esposo Adriano Santos de Matos são acusados de depredar o prédio que abrigava a escola Manoel Rosa da Silva, de onde teriam retirado janelas e todo o telhado. Porém, Cida diz que só retirou o material após a autorização do prefeito. “Nunca peguei nada de ninguém e não vou deixar que me chamem de ladra”, frisou. Cida disse ainda que “eles vão ter que assumir que me deram a ordem para tirar o material: sou pobre, mas não sou criminosa”, disse ela chorando.

 

Episódio semelhante aconteceu aqui no Município de Euclides da Cunha, porém com uma diferença: aqui não houve a mesma repercussão do fato que houve em Queimadas, onde a divulgação do ocorrido teve destaque em duas páginas do Jornal A Tarde.

 

O episódio aqui no nosso Município foi objeto de uma matéria de autoria de Ismael Abreu, publicada na edição do FACE Informa do mês de dezembro de 2010 sob o título de “Descaso com o patrimônio do Município”. Nessa matéria ele faz o seguinte comentário sobre um prédio escolar desativado localizado no povoado do Macacou (próximo ao Zumbi de Baixo) que foi depredado:

 

“ … para minha surpresa, na semana anterior as eleições soube que algumas pessoas retiraram as telhas, as madeira, portas e janelas do referido prédio. O mais lamentável de tudo isso é que, segundo informações obtidas, a retirada das telhas, madeiras e janelas foi feita com o conhecimento da prefeitura. Se isso for realmente comprovado, trata-se de um fato grave, tendo em vista a responsabilidade da mesma em relação à preservação dos bens públicos, não podendo deixar que se apropriem ou tomem os mesmo como doações sem autorização da Câmara dos Vereadores.

 

Na semana seguinte às eleições estive em Euclides da Cunha visitando o local verifiquei que o Prédio Escolar havia SUMIDO. O mesmo foi inteiramente levado, não restando qualquer parede, tijolos ou alvenaria, restando apenas um monte de entulho” (ver fotos).

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Esse fato foi objeto de denúncia na sessão da Câmara pelo Vereador Cláudio Lima, indicando que o reponsável pela retirada das telhas, portas, janelas, madeiras e tojolas do Prédio Escolar foi o senhor Everaldino Nunes Pereira. Porém, diferentemente do que ocorreu no Municipio de Queimadas, onde foi o próprio presidente da Câmara de Vereadores que denunciou o prefeito, aqui, o Vereador Diasis (atual presidente da Câmara) saiu em defesa da prefeita, dizendo que a mesma não tinha conhecimento do fato e ela já estaria propondo uma ação de reparação de danos contra o Sr. Everaldino Nunes, autor da depredação.

 

Segundo o Verador Cláudio Lima, o que aparentemente ocorreu foi que às vesperas do pleito eleitoral, a prefeita teria promovido de forma ilegal, doações de bens públicos (telhas, madeiras e tijolos de um prédio escolar sem uso) a eleitores do seu marido, sendo um deles identificado como Sr. Everaldino Nunes, proprietário de um bar no povoado do Zumbi de Baixo.

 

Cláudio Lima informou ainda que somente depois que entrou com uma Ação de Investigação Eleitoral contra o marido da prefeita (então candidato a deputado supostamente beneficiado pelas doações) é que ela se manifestou sobre esse fato. “Note-se que o fato já era de conhecimento público durante o período eleitoral, divulgado na imprensa escrita e rádio Euclides da Cunha FM com grande audiência e que tem como um dos sócios o marido da prefeita”, frisou Cláudio. 

Ainda segundo Cláudio Lima, “causa grande estranheza que o Procurador do Município de Euclides da Cunha tenha promovido a ação judicial contra Everaldino Nunes, visando apenas ressarcimento do bem público, sem comprometê-lo de crime contra o patrimônio público.” 

A Câmara de Veradores de Queimadas tem uma composição semelhante à Câmara de Euclides da Cunha, com a diferença de que lá os vereadores são mais atuantes na fiscalização dos atos do prefeito. 

Esperamos que em relação ao exercício da cidadania haja mais semelhanças do que diferenças entre os cidadãos de Queimadas e de Euclides da Cunha e que atos como esses sejam de fato investigados e se comprovada a responsabilidade dos envolvidos que eles sejam punidos exemplarmente.

 

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