A RESPONSABILIDADE DE GOVERNAR EM UM SISTEMA PRESIDENCIALISTA

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Por: João de Tidinha

No cerne do sistema presidencialista, a responsabilidade de governar repousa sobre os ombros do presidente — figura central que acumula as funções de chefe de Estado e de governo. Contudo, há uma confusão frequente, e até estratégica, entre dois conceitos que merecem distinção: culpa e responsabilidade.

É comum observar políticos tentando escapar de críticas ao misturar deliberadamente culpa com responsabilidade. A metáfora é simples e poderosa: se uma criança quebra a vidraça do vizinho jogando futebol, a culpa é da criança, mas a responsabilidade é dos pais. Da mesma forma, em situações complexas como ameaças de tarifações excessivas, pouco importa se a culpa recai sobre Donald Trump, Lula ou Bolsonaro. O que realmente importa é que a responsabilidade por buscar concórdia e soluções concretas cabe ao chefe do Executivo atual, ou seja, ao presidente em exercício.

Responsabilidade vai além do ato cometido — envolve a postura diante da crise, a capacidade de negociação e o comprometimento com o bem coletivo.

 O Presidente, tem que ser um  líder, não espectador. O presidente tem o dever constitucional de liderar com firmeza e sensatez, mesmo quando os desafios são herdados.

Assim como um líder, saber recuar estrategicamente pode ser mais sábio que enfrentar o inimigo de frente, o presidente deve compreender que em alguns momentos, a diplomacia é mais eficaz que o confronto direto.

No presidencialismo, governar não é apenas executar ações — é assumir as consequências delas e buscar soluções. Responsabilidade é ser protagonista, mesmo quando os erros não foram originalmente seus. A habilidade de reconhecer o momento certo de ceder, negociar e reconstruir pontes políticas é sinal de maturidade, não de fraqueza. Ter postura de chefe de estado e abdicando de governar não combina com o sistema, porque é fácil colocar os problemas sempre na conta dos outros.

E para concluir, talvez seja justamente essa distinção entre culpa e responsabilidade que define os verdadeiros líderes dos que apenas ocupam cargos.

 

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