As próximas duas semanas serão cruciais na definição das alianças para as eleições presidenciais. Esta semana, Geraldo Alckmin teve um alongado jantar com os presidentes do PP, DEM, PRB e SD, que tentam negociar em bloco seu apoio a um só nome. Hoje, Alckmin já conta com apoio do PSD, PTB, PPS e PV, o que lhe garante cerca de 20% do horário eleitoral gratuito de rádio e TV. Se conseguisse o apoio do bloco, o tucano quase dobraria esse tempo.
No entanto, há na cúpula desses partidos muitas dúvidas sobre a viabilidade eleitoral do ex-governador paulista. Apesar do tamanho de sua estrutura partidária, esses dirigentes acham que o eleitorado busca personagens mais agressivos, como Jair Bolsonaro e Ciro Gomes, e temem que o tucano sequer chegue ao segundo turno – ou, caso chegue, que seja derrotado por um nome de esquerda.
Se Alckmin desperta desconfianças em relação à perspectiva de vitória, Ciro Gomes, que é a outra alternativa do grupo, levanta outra dúvida: se ganhar, dará ouvidos (além de cargos, é claro) aos aliados? A desconfiança se acentua a cada declaração do pedetista atacando as reformas de Michel Temer, como fez esta semana em evento da CNI no qual qualificou a reforma trabalhista como “uma selvageria”.
Uma hipótese real hoje é que os quatro partidos se dividam. Integrantes do grupo afirmam que o PRB estaria mais próximo de Alckmin, assim como o SD estaria em negociações mais avançadas com Ciro. No DEM, apesar de Rodrigo Maia e ACM Neto flertarem com Ciro, a maior parte da legenda prefere Alckmin. Já no PP, o presidente Ciro Nogueira vem sinalizando ser mais favorável a uma aliança com Ciro.
PT joga parado
Enquanto os adversários aceleram as negociações, o PT continua jogando parado. Com Lula liderando todas as pesquisas e com grande capacidade de transferir votos, os petistas só pretendem se mover quando a Justiça oficialmente impedir que a legenda exiba propaganda do ex-presidente – uma vez que ele está inelegível.
Se por um lado isso impede que os prováveis substitutos – Jaques Wagner e Fernando Haddad – cresçam nas pesquisas, por outro lado os protege das críticas e da necessidade de se posicionarem sobre temas sensíveis.
Informações de O GLOBO
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