Melhor faz quem se acautela e permanece em casa sem se expor. Afinal, apesar da aparência de tranquilidade e das afirmações do comando da PM de que os policiais não estão em greve, ainda é difícil ver viaturas e vias sendo patrulhadas pelos policiais militares em Salvador.A Semana Santa esvaziou a cidade, deixando avenidas sem tráfego e muitos bairros submersos numa perfeita atmosfera de feriadão. Sob um cenário assim, é difícil falar de qualquer normalidade na cidade.
A nebulosa aumenta quando se conversa com policiais militares e se percebe sua insatisfação.
Eles continuam sentindo uma grande indignação contra a detenção do vereador e ex-soldado Marco Prisco (PSDB), preso a pedido do Ministério Público Federal exatamente por liderar o movimento paredista, e tudo indica que só recuaram na decisão de retomar a paralisação por concluírem que a medida extrema poderia complicar ainda mais a situação do líder grevista na prisão.
É evidente que a população é contra a greve. Sabe que é a principal prejudicada com o movimento e não se sente responsável pelo impasse entre governo e PMs, a despeito de muitos considerarem as reivindicações dos grevistas justas. Ocorre que o clima entre a tropa e o governo, que desta vez agiu rápido, evitando que o Estado entrasse no mesmo caos registrado em 2012 e ganhando a batalha pelo encerramento da greve, não é nada bom.
Uma rápida olhada nas redes sociais permite ver o quanto, apesar das evidências em contrário, policiais atribuem a prisão de Prisco ao governo Jaques Wagner (PT). Com Prisco preso e o deputado estadual Capitão Tadeu (PSB), o segundo líder grevista, ameaçado de prisão, segundo se comenta entre os policiais, o que restou do movimento perde a interlocução com o governo e a sociedade.
Quem assegura que tudo voltará ao normal? O comando da PM ou o tempo? Se é ele mesmo, o melhor pelo menos por enquanto é tomar o máximo de cuidado.
Raul Monteiro-Politica Livre
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