
Por: João de Tidinha
Por mais que a tecnologia da informação avance, se reinvente e se multiplique em telas, aplicativos e plataformas, o rádio permanece firme e, ao que tudo indica, permanecerá. Ele é o único meio de comunicação verdadeiramente universal. Não exige atenção total, não interrompe o ritmo da vida, não depende de grandes recursos e alcança tanto o centro urbano quanto a zona rural mais distante.
Enquanto outros meios disputam o olhar, o rádio conquista pelo ouvido. Ele acompanha quem trabalha na roça, quem dirige pela cidade, quem está em casa preparando o almoço, quem vive em comunidades onde a internet ainda não chega. É presença constante, discreta e fiel. O rádio não atrapalha, ele soma, informa, acolhe e faz companhia.
E talvez seja justamente essa simplicidade que garante sua eternidade. O rádio não precisa competir com a tecnologia; ele se adapta a ela, se mistura a ela, e continua sendo o elo mais direto entre a voz e o coração das pessoas.
Homenagem ao radialista José Mariano Cardoso
Hoje, essa reflexão ganha ainda mais sentido ao lembrarmos de José Mariano Cardoso, radialista que partiu prematuramente e deixou um vazio profundo na cidade de Euclides da Cunha.
José Mariano não era apenas um comunicador.Era uma referência diária, uma voz que fazia parte da rotina da população. Seu programa na emissora FM local não era apenas entretenimento, era serviço, era companhia, era identidade. Ele sabia falar com o povo, sabia ouvir o povo, sabia traduzir o cotidiano em palavras simples e verdadeiras.
Sua presença no ar era tão marcante que muitos sentiam que o conheciam pessoalmente, mesmo sem nunca terem apertado sua mão. Isso é algo que só o rádio proporciona. A sensação de proximidade, de amizade, de confiança.
A partida de José Mariano Cardoso deixa saudade, mas também deixa legado. Ele mostrou que o rádio é feito de gente que sente, que se dedica, que transforma o dia de quem escuta. Sua voz se cala, mas sua contribuição permanece viva na memória de Euclides da Cunha e de todos que o acompanhavam.
Que sua história inspire novos comunicadores e que sua lembrança continue ecoando, como ecoa o rádio: simples, forte e eterno.





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