Uma administração de pedras e cimento

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Por: João de Tidinha

Cedo o telefone tocou. Atendi. Era aquele meu velho amigo, que ainda continuava com dúvidas se ele é do bem ou é do mal, já que ele não votou na prefeita atual.

Demonstrando muita preocupação, o meu amigo me perguntou se eu já tinha lido o último informativo da prefeitura. Segundo ele, quem lê o informativo, tem a impressão de que “a única preocupação da gestora é fazer praças, quando de fato a população carece mesmo é de um atendimento médico digno, de educação de qualidade e de um programa de geração de emprego e renda”. “Cadê o matadouro que ela prometeu?”, esbravejava ele no telefone.

Antes que eu tivesse a oportunidade de lhe dizer que li o informativo, ele gritou ao telefone: “João: praças bonitas são apenas colírios para os olhos, quando o povo está precisando mesmo é de remédio para diarréia”.

Por alguns instantes fiquei indignado com a indignação do meu amigo, mas logo entendi perfeitamente o que ele queria dizer.

De fato, li o último informativo da prefeitura. Ele é apenas uma continuidade da chamada “Festa da Democracia” ocorrida no ano passado, onde se dizia que Euclides da Cunha era o “melhor lugar do mundo”. Esse ano essa “festa” ocorreu no último dia 14/02 no Centro Educacional Elo, onde a prefeita reuniu várias pessoas para apresentar as suas obras, incluindo 16 em andamentos, 13 novas a serem iniciadas e mais calçamento de 32 ruas.

Realmente é só obra! A prefeita se esquece que todo gestor deve ter um Plano de Metas contendo as prioridades, as ações estratégicas, os indicadores e as metas quantitativas para todos os setores da administração pública.

Segundo o IBGE, metade da população de Euclides da Cunha é composta por famílias em situações de pobreza. É só olhar as transferências de renda através do Bolsa Família para o município. O orçamento público deve ser priorizado para aqueles que mais precisam, gerando benefícios efetivos e de longo prazo para a comunidade, como a educação, a saúde preventiva, a coleta de lixo, a geração de empregos e renda e saneamento básico conforme comentou meu velho amigo.  “No lugar onde tudo é necessário, a prioridade é o mais necessário”.

O ciclo da pobreza só se quebra através de investimentos pesados em educação. Do contrário, estaremos reproduzindo o ciclo, onde os avós eram pobres, os pais são pobres e os filhos também serão igualmente pobres.

Aliás, ao invés de uma “festa”, a prefeita deveria procurar atender ao que determina a Lei. De acordo com artigo 60-A da Lei Orgânica do Município, a prefeita deve divulgar amplamente o seu Programa de Metas; b) após a sua divulgação, deve ser promovido o debate público, mediante audiências públicas gerais, temáticas e regionais, inclusive nos bairros e povoados; e principalmente c) a cada semestre a prefeita deveria divulgar os indicadores de desempenho de cada setor da administração pública. Será que a nossa Lei Municipal não é para ser cumprida?!

“João, essa é uma administração de pedras e cimento!” Disse meu amigo ao telefone, agora já um pouco mais calmo. “São obras para atenderem as vaidades políticas e pessoais, criarem visibilidade e efeitos imediatos na utilização dos escassos recursos públicos!”.
Dei-lhe razão e já desanimados concluimos que com esse caminho, os efeitos sobre os indicadores sociais aqui no nosso município serão os menores possíveis.

Terminando a nossa conversa, me despedi do meu amigo e desliguei o telefone…..

 

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